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Conversas Unicer - Opinião & Reflexão

11 de Abril de 2008 por Miguel Albano

Depois de uma noite “calma e de descontracção” aproveito agora para apresentar a minha opinião sobre o Conversas Unicer, que decorreu ontem no Museu da Electricidade, cujo tema se centrava sobre a Blogosfera.

 

  1. (BOM) O espaço - O Museu da Electricidade dispõe de condições únicas para a realização de eventos e a produção do mesmo superou as minhas expectativas. Os sofás deram-lhe um toque de informalidade e a produção vídeo foi extremamente agradável.
  2. (MAU) O formato - Confesso que fui para o evento com outras expectativas de formato. Devo ter lido mal a apresentação do evento. Estava à espera de ver um conjunto de palestras de partilha de experiências. Afinal de contas, nada disso aconteceu.O Bruno Giussani fez uma palestra muito interessante mas que na prática nem sequer serviu para a parte seguinte. O painel de “comentadores” era interessante, mas julgo que para um tema tão relevante no dia de hoje, haveria outros formatos mais adequados à apresentação de ideias, conceitos e troca de opiniões.
  3. (BOM) Bruno Giussani - Desconhecia-o. Com toda a sua reputação, confesso que não conhecia nem o trabalho nem a visão do Bruno Giussani. Ontem, tive o prazer de ver uma apresentação simples e straight to the point da forma como as organizações devem potenciar a tecnologia e os novos modelos sociais de comunicação e interacção.

    Espero poder fazer um resumo mais alargado da apresentação dele no fim-de-semana, já que não está disponível aos milhares que quiseram seguir o evento via web.

  4. (MAU) Webcast - Não percebi porque é que num evento desta natureza não se decidiu adoptar um modelo mais interactivo de webcast, com a participação da audiência online. Mais ainda, sei que a palestra do Bruno Giussani não foi transmitida (só consigo pensar em direitos de transmissão) e pior, neste momento, o arquivo da gravação não está disponível online.
  5. (BOM) Os números - A Maria João Nogueira lá aproveitou para divulgar alguns números dos blogs do Sapo. Cerca de 200 mil blogs existentes, dos quais 60 mil activos (um post nos últimos 60 dias). Num sector onde a existência de números é sempre rara e polémica, estes dados ajudam a compor a fotografia da blogosfera nacional.
  6. (MAU) As referências - Numa conversa sobre blogs e empresas faltou um elemento crucial. A partilha de experiência de uma organização nacional com um blog corporativo. Bem sei que são poucas, mas elas existem (vide YDreams, o próprio Sapo). Gostei também da questão lançada sobre a (não) existência de blogs corporativos nas empresas de media.
  7. (BOM) Paulo Querido e Maria João Nogueira - Gostei de ambas as participações. A meu ver, e a par do António Granado, eram quem me interessava mais escutar. São presenças obrigatórias em conversas sobre a blogosfera e goste-se ou não, ambos são capazes de partilhar experiências e conhecimentos que muito poucos possuem em Portugal. A sua presença foi uma mais-valia, sem margem de dúvida.
  8. (BOM) António Granado e Luís Paixão Martins - Também gostei da participação de ambos, mas faltou-lhes aquela «pitada de sal» que fizesse a diferença. Ficam por colocar duas perguntas provocatórias. Porque é que o Público Online não põe os seus leitores a fazer moderação de comentários (aparentemente é uma tarefa volumosa nos dias de hoje) e porque é que o Luís Paixão Martins não possibilita os comentários no seu Lugares Comuns?
  9. (MAU) Unicer - Este mau tem uma componente de provocação e outra de reflexão. Num evento sobre blogs e empresas, era natural que a Unicer fosse colocada em «cheque» na questão de ter ou não um blog. Sabendo de antemão o que lhe esperava, os responsáveis deveriam ter reflectido sobre que resposta apresentar nesta matéria.Ou então, para um sincero «não sei».

    No nosso dia-a-dia observamos frequentemente o medo de algumas organizações em admitir o desconhecimento sobre determinadas realidades. Facto é que nenhum de nós é detentor do conhecimento absoluto. Logo, ou sabemos ou não sabemos. Se não sabemos, basta ir à procura de quem sabe.

  10. (BOM) Conversas Unicer - Foi a primeira a que tive oportunidade de presenciar, mas gostei do espírito da iniciativa e da vontade que move a Unicer em estimular o debate e a troca de ideias. Reconheço à Joana Queiroz Ribeiro (Directora de Comunicação da Unicer) uma paixão sobre estas temáticas e uma vontade de fazer andar este sector.

    Ao António Pires de Lima (CEO da Unicer), reconheço a coragem de estar presente e ser confrontado. Podemos não partilhar opiniões, mas não é todos os dias que um CEO nacional se deixa questionar de forma tão directa.

 

E de uma forma muito pouco “sucinta”, eis a minha opinião sobre o evento, sobre o bom e o mau. Penso que está lançado o mote para continuarmos a conversa sobre empresas e blogs, seja online, seja em próximos eventos.

 

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4 respostas até ao momento;

  • 1 FlaviaPM // Abr 11, 2008 at 20:20

    Também fiquei com a dúvida do porquê não permitir comentários no blog do Luis Paixão Martins. Adorei o espaço e aproveitei a tarde para me por em contacto com o segmento das relações públicas em Portugal. A possibilidade de discussões futuras interessa muito, principalmente, o debate que espero estar muito próximo sobre como será utilizada e colocada em prática essa nova ideia na área das relações públicas.

  • 2 Mª João Nogueira // Abr 11, 2008 at 22:55

    Eu sei que o SAPO tem Blogs que podem ser considerados empresariais (o blog oficial dos blogs, por exemplo), mas não me ficaria bem ir para ali falar do trabalho do SAPO, destoaria e soaria a banha da cobra. Se alguém levantasse o tema, teria muito gosto, mas não podia ser eu, da mesma forma que não podia ser eu a falar do flop da Optimus, na sua entrada “fulgurante” na Blogosfera com o seu triste e famoso flog. É a concorrência de uma empresa do grupo, e eu acho que fica sempre mal, dizer mal da concorrência, mesmo que haja razões palpáveis para o fazer.

    Foi morno, podia ter sido mais animado, mas foi bom, pelo menos pôs as pessoas a falar :)

    Já agora, dados estatísticos dos Blogs do SAPO, desde que não comprometam nem identifiquem os nossos utilizadores, estão disponíveis, à distância de um mail, e fornecemos dados, com relativa frequência, para trabalhos universitários e para a comunicação social. É só perguntar.

  • 3 Paulo Querido // Abr 15, 2008 at 23:05

    Obrigado pelo meu “bom” :)

    No geral de acordo, vamos ao desacordo: considero o formato bom e não estou nem aí de os leitores exigirem, ou inquirirem em tom de exigência, este ou aquele comportamento por parte dos autores.

    O formato: era em jeito de conversa, o ambiente proporcionava o diálogo e se alguma coisa falhou, foi o costume em Portugal: a audiência exige debates abertos nos quais se possa sentar, caladinha, a assistir.

    O LPM e os comentários: NENHUM blogue é obrigado a ter comentários e se os seus leitores não gostam, podem dizê-lo, evidentemente. Mas a forma como coloca a pergunta “e porque é que o Luís Paixão Martins não possibilita os comentários no seu Lugares Comuns?” parece estar a indiciar o LPM pela prática de alguma incorreção, para não dizer pior. Como de resto fica provado no primeirio comentário, está a lançar uma suspeita. Sim: o LPM deve ter uma razão dos diabos para não ter comentários!, algo assim escabroso, algo a esconder, algo a temer.

    Ora, eu discordo dessa atitude. Os comentários são rigorosamente facultativos e não há ilações a tirar por um autor os ter abertos, moderados ou fechados.

    O museu é fabuloso, Bruno Giussani é muito bom, a sua apresentação foi 5 estrelas e uma vez mais, obrigado pela minha nota ;)

  • 4 Miguel Albano // Abr 15, 2008 at 23:33

    Paulo,

    como deves calcular, longe de mim querer levantar qualquer suspeita sobre o LPM. A minha dúvida é meramente inocente. Gostava mesmo de saber as razões da decisão. Apenas isso.

    Quanto ao formato, foi diferente, de facto. Interessante e participativo q.b.. Eu é que parti com as expectativas trocadas, fruto de uma desatenção.

    Aguardarei ansiosamente pelo próximo Conversas Unicer, com elevadas expectativas relativamente ao local do evento e ao tópico em debate.

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