(It’s) Not About You

“What’s happening here?”

15 de Abril de 2008 por Miguel Albano

Com alguns dias de atraso, mas aqui fica uma opinião mais aprofundada relativamente à apresentação que o Bruno Giussani fez no Conversas Unicer que me pareceu extremamente interessante e adequada ao tema em questão:

A pergunta que o Bruno Giussani colocou como base de partida para o seu keynote foi a seguinte:

What’s happening here?” (onde o here é a Internet nos dias de hoje).

Para ele, o «what’s going on» centra-se actualmente em cinco pilares distintos de actividade:

  • Witnessing
  • Sharing
  • Conversation
  • Collaboration
  • Action

Witnessing – As ferramentas tecnológicas que nos são colocadas ao dispor nos dias de hoje permitem que cada um de nós seja uma testemunha participativa dos eventos que nos rodeiam permanentemente.

Com um mero telemóvel, cada um de nós transformou-se num reportér, com a capacidade de documentar (em texto, áudio, imagem ou vídeo) eventos importantes ou as irrelevâncias do quotidiano.

Sharing – Claro que documentar tudo aquilo que se passa ao nosso redor só tem piada se podermos partilhá-lo com o resto do mundo.

As ferramentas de life-casting (Yahoo! Live, Qik, UStream) permitem que partilhemos com os nossos amigos mais próximos ou com os estranhos anónimos.

Hoje em dia partilhamos tudo. Os nossos vídeos (YouTube), os nossos favoritos (Del.icio.us), os nossos gostos, os nossos sofás (CouchSurfing) entre muitas outras coisas.

A Internet transformou-se numa verdadeira rede social, onde cada um de nós tem a capacidade de estabelecer relações com pessoas do outro lado do planeta, à velocidade da luz.

Conversation – A Internet começou desde das suas raízes como uma plataforma de interacção, onde as diferentes ferramentas de comunicação (o Email, o IRC, etc…) permitiam aos utilizadores trocar ideias, experiências ou manter uma simples conversa.

Presentemente, estas ferramentas transformaram o processo de conversação. As conversas estão em todo o lado e a toda a hora. Seja nos nossos canais de comunicação (o meu blog, o meu messenger, o meu email) seja nos canais de comunicação de terceiros (no twitter, nos comentários dos outros blogs, nos fóruns de discussão).

Seguir as conversas na Internet tornou-se num desafio para os mais interessados, mas elas estão lá, quer queiramos, quer não.

Collaboration – E naturalmente, quando permitimos às pessoas interagir e partilhar ideias e experiências, a necessidade de passar ao próximo nível de interacção torna-se obrigatório. Com a evolução tecnológica e em particular com a revolução social que a Web 2.0 trouxe nos últimos anos, assistimos ao crescimento exponencial das plataformas de colaboração online.

Umas mais restritas que outras, com o expoente máximo na Wikipedia ou na comunidade de Open Source (onde o Sourceforge é um extraordinário exemplo).

Hoje em dia, começamos a assistir à implementação de processos de colaboração em áreas de nicho, como seja a arquitectura ou a medicina, envolvendo nalguns casos empresas e instituições.

Action – Quando a Internet nos permite conversar, partilhar e colaborar, torna-se relativamente óbvio que o derradeiro passo é o da acção. A força do colectivo, quando a informação está presente, quando as ferramentas de interacção e colaboração estão presentes e quando uma causa comum une os esforços e orienta essa força colectiva, é o exemplo máximo do potencial desta nova internet.

A dúvida que o Bruno Giussani coloca, e muito bem, é a seguinte:

Como é que as organizações (e em particular as empresas) estão a tomar partido destas novas potencialidades?

Deixo a questão no ar, com a promessa de uma resposta relativamente à nossa visão para breve.

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