A lista de Gina, os PRs e os RSS

As nossas desculpas pela ausência prolongada nos últimos dias, consequência natural de um pico de trabalho.

Mas hoje dei por mim a por em dia a leitura em dia dos blogs, e deparo-me com um artigo do João Duarte (YoungNetwork) que não posso deixar de comentar.

Tudo começou na passada 6ª feira, quando a Gina Trapani, editora do blog Lifehacker, decidiu publicar uma lista das agências de comunicação (e respectivos domínios de correio electrónico) que passaria a bloquear.

Esta acção não é original, com Chris Anderson, editor da revista Wired e do blog Long Tail, a publicar uma lista semelhante em Outubro de 2007.

O problema é que a acção da Gina Trapani é extremamente mais grave, na medida em que ela criou uma wiki onde colocou domínios inteiros a bloquear e permitindo que terceiros, anonimamente, contribuíssem para essa mesma lista.

O anúncio da criação desta lista via Twitter gerou automaticamente uma troca acesa de opiniões e um fluxo anormal de artigos publicados sobre esta matéria, com destaque para os textos de Chris Lynn, Doug Haslam (genial, o conceito dos semáforos), Kelli Matthews (via PR Open Mic), Meg Roberts, entre outros.

Destaque para as fantásticas respostas do Todd Defren (Shifft) e do Brian Solis

Na minha humilde perspectiva, levantam-se aqui duas questões pertinentes que devem começar a ser abordadas no mercado nacional, de forma a evitarmos alguns dos erros que persistem com os nossos colegas norte-americanos.

Começo pelo primeiro, dado que não é a primeira vez que falamos dele aqui.

Como abordar um blogger? Como perceber se ele está disponível para receber informação dos nossos clientes?

É natural que nós, enquanto profissionais de comunicação, sejamos inteligentes o suficiente para identificar aqueles que poderão interessar-se pelos nossos clientes e respectivos produtos/serviços/soluções. É igualmente importante saber fazer a aproximação a quem está do outro lado do blog demonstrando conhecimento sobre o autor, o seu trabalho e seus interesses.

Mas os erros acontecem. A comunicação digital, o relacionamento com os bloggers é algo de novo, incipiente. Estamos todos, profissionais da comunicação e bloggers a aprender com os erros uns dos outros.

Mas existem sugestões válidas de ambos os lados.

Se por um lado podemos desafiar os bloggers a publicarem nos seus Abouts se podem/devem ser contactados pelas consultoras em comunicação, por outro lado, estas e os seus clientes devem começar a reequacionar o seu modelo de comunicação regular, vulgo, o tradicional press release.

Faço parte daqueles que acredita que o comunicado de imprensa vai entrar numa fase de profunda transformação, passando de um bloco desinteressante de texto para algo verdadeiramente mais social e interactivo (vide o Social Media Press Release).

Mas acredito essencialmente que estamos perante uma revolução no canal de comunicação. Se no século passado se faziam alguns mailings de comunicados de imprensa via fax e se presentemente se perpetua o conceito via correio electrónico, vejo num futuro próximo uma mudança neste paradigma.

Torna-se cada vez mais pertinente às organizações colocarem os seus suportes de comunicação online, em verdadeiras salas de imprensa virtuais, onde bloggers e jornalistas podem subscrever os temas que lhes são relevantes, ficando assim em sintonia, e particularmente, em conforto, na recepção regular de informação.

O que precisamos de fazer para iniciarmos este processo de mudança ?

Precisamos de (in)formação e acção. Precisamos de aprender a relacionarmo-nos com os bloggers, mas essencialmente, precisamos da ajuda deles para entender como interagir com eles sem os incomodar.

E precisamos que os jornalistas (e não tantos os bloggers) adiram às novas tendências tecnológicas (RSS, Mashs, etc..) de forma a que todos os intervenientes nos processos de comunicação se sintam confortáveis e activos.

Que me dizem?


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