(It’s) Not About You

Made in Portugal

5 de Agosto de 2008 por Miguel Albano

Este é um post publicado em simultâneo no (It’s) Not About You, Facebook e TheStarTracker.

Onde está a inovação?

Quando olhamos para a Internet, é extremamente fácil de identificar projectos de sucesso, em particular no mercado norte-americano.

Dia sim, dia não, lá aparece mais um projecto inovador, por muito simples que seja, por muito orientado a um nicho que possa ser.

Mas o que se observa diariamente nos TechCrunchs e Mashables da vida é um espírito contínuo de inovação, de vontade de fazer mais e melhor, de encontrar soluções para necessidades específicas.

Em Portugal, eu não consigo identificar esse espírito. Pelo menos, não de uma forma continuada.

De vez em quando lá vem um projecto novo, diferente e diferenciador. Uns ganham maior destaque, como é o caso do TheStarTracker, outros menos, como é o caso do Adegga.

Infelizmente, não há uma musa inspiradora que lidere no espírito da inovação. Não há um Google nacional (o Sapo há muito que abandonou esse papel), não há uma vontade escondida numa garagem qualquer de fazer algo de diferente, adaptado ao nosso mercado específico.

Naturalmente que a inovação não está restrita à Internet, à Web (muito menos à 2.0). E fora dela, temos excelentes exemplos de inovação made in Portugal.

Nem eu quero assumir o papel do pessimista de serviço, eu que sempre me achei um optimista por excelência.

Mas olho para trás com alguma nostalgia. Nos finais dos anos 90, quando a Web em Portugal estava ao rubro, havia novidades todas as semanas. Projectos novos. Experiências novas.

Alguns tiveram sucesso e outros tantos ficaram pelo caminho. Alguns foram comprados e outros tantos encerrados.

Em tempos compilei uma pequena lista de projectos sonantes (à data) que entretanto desapareceram. Outros existem que tendo sobrevivido, são uma ínfima sombra da sua dimensão anterior.

Dos grandes projectos empresariais para a Internet, não se vislumbra uma visão, um caminho ou uma luz ao fundo do túnel.

Não se identifica uma concorrência saudável nem uma vontade de mudar o status quo.

A (r)evolução da Web 2.0, que mais do que uma (r)evolução tecnológica, passa por uma (r)evolução na forma de usar a Internet, ainda não foi assimilada por nós, vulgo raras e boas excepções.

Se não exigirmos mais, veremos esse espaço ser ocupado pelos made in the USA. Não que isso seja uma coisa má, mas dificilmente nos permitirá salvaguardar os nossos mais preciosos valores, incluindo a nossa língua.

Fica o repto lançado a todos os que chegaram até aqui (eu sei que o post é longo) de encontrar formas de inovar nos respectivos mercados e nos serviços prestados. O repto de ajudar e promover projectos que sejam únicos na forma de abordar a Internet e que sejam únicos de uma forma global.

Fica igualmente uma provocação.

Mais do que uma rede de talentos, o que nós precisamos é de talentos em acção.

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2 respostas até ao momento;

  • 1 Andre Ribeirinho // Ago 6, 2008 at 17:12

    Obrigado pela referência ao adegga :)

    Eu acho que em Portugal não temos, em geral, uma cultura de pensamento livre. Estamos sempre constrangidos pela forma de pensar das outras pessoas, pela forma “normal” de fazer as coisas. Como crianças temos o estigma do “não faças isso que te sujas”, quando é a sujarmos que aprendemos a errar.

    Não somos “educados” para criar mas sim para copiar pois é, aparentemente, mais rápido e mais fácil. Ver um modelo que funciona e copiar é mais fácil do do que criar uma coisa nova e lidar com todas as falhas e desafios que isso implica. Aqui começa o problema da falta de iniciativas inovadores ou criadoras de valor.

    O problema do status quo é complicado. Precisamos de mudar pessoalmente e só depois conseguiremos mudar professionalmente. Se não conseguimos ser diferentes como pessoas, se não conseguimos quebrar regras como pessoas, como é o que o vamos fazer como empresas ou projectos?

    Mas a verdade é que vejo cada vez mais gente com vontade de mudar. Sempre que encontro um projecto de mudança faço o possível por promover e incentivar. Precisamos de mais pessoas que comecem e que criem. Na prática funciona como um vírus. Mais projectos = ainda mais projectos.

    Portugal tem um enorme vantagem não existente em outros países. Não temos tantos recursos base. Falta-nos dinheiro, orgãos de promoção e educação empresarial. Isso coloca-nos desafios que só podem ser ultrapassados usando a cabeça. Isto (com esforço e dedicação) acaba naturalmente por criar valor e inovação, que afinal é onde queremos chegar.

  • 2 Postcrossing | (It's) Not About You // Out 30, 2008 at 18:03

    [...] propósito da inovação made in Portugal, abordada aqui há meses atrás, não posso deixar de chamar a atenção para o Postcrossing, um projecto que soma [...]

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