Nunca fui fã do Second Life. Gostava de poder dar-vos uma razão para além do vago “nunca me puxou” mas acho que me é impossível. A verdade é mesmo essa: nunca me puxou.
Ainda assim, apresenta algumas características interessantes ao nível do relacionamento entre empresas e alguns stakeholders. Algumas empresas perceberam a oportunidade e foram a correr montar barracas e construir (?) ilhas no Second Life e esta corrida ao mundo virtual mais famoso de sempre teve algum eco nos media.
Mas parece que afinal as pessoas não gostavam assim tanto daquilo, dado que depois de um ano já ninguém queria ouvir falar do Second Life. O que é que aconteceu? Uma grande percentagem das pessoas que por lá andavam abandonou aquilo e as empresas ficaram a olhar para ontem. Era, de facto, uma óptima oportunidade para as empresas. Aparentemente, no entanto, não o era para a maioria das pessoas, que sempre encarou o Second Life como um jogo. As pessoas fartam-se dos jogos. E as empresas faziam parte do jogo, quer tivessem entrado a valer ou não.
As características do Second Life mantêm-se interessantes. Com excepção da pouca relevância mediática actual e da aparente quebra na popularidade do jogo, a lógica do Second Life é, de facto interessante. Mas sem pessoas, esqueçam.
É claro que os mais insistentes poderão ter esperança. A história do músico de blues do Second Life que arranjou contrato discográfico à conta dos seus concertos virtuais é um sinal de que não podemos ver as coisas de uma forma maniqueísta. Há oportunidades no Second Life; não há é todas as oportunidades do mundo no Second Life (acho que nunca ninguém pensou assim, mas fica a ideia).
Entretanto, o caso do músico até é interessante. É que a editora quer que ele continue a dar os seus concertos virtuais… mas também o quer levar para a estrada (a de alcatrão). Mas ele não é muito amigo da gasolina, das despesas e do fumo do tabaco. Parece que faltou ali uma reunião cara a cara.

8 respostas até ao momento;
1 Nyne Wolfe // Ago 30, 2008 at 12:26
Não sei que fontes tens tu para este post, mas uma vez ligado a área de comunicação e querendo falar de “um ano depois no secondlife” (seria este o titulo que eu daria a este artigo), teria pelo menos entrado no dito “jogo” e teria percebido se afinal os residentes de há um ano continuavam online ou não.
Infelizmente ou felizmente (ainda irei descobrir isso para o proximo ano), a comunicação social, deixou de poder vender revistinhas e jonalecos, por falar de mais uma lojinha aberta no secondlife e realmente, quem viu a plataforma como mero jogo, bazou (como diria a minha filhota). Isso é mau? Não no meu entender, pois acho que agora só está no meio, quem tem algum tipo de projecto concreto, seja ele puramente ludico ou de investigação.
O Secondlife deixou de ser moda? Sim, agora já não entra qualquer um no meio, entram as pessoas que tem alguma curiosidade em explorar novas tecnologias e estar um passo a frente no conhecimento das mesmas, testando e explorando as potêncialidades.
Dizes que nunca te puxou, então faço-te um convite:
Vem conhecer o projecto Utopia e-zine, que irá arrancar a todo o gás a partir de Outubro, para ver se existe em português, mais que exporádicas especulações sobre o meio, ou artigos de opiniões, de alguns residentes.
Já agora, aqui ficam alguns linkes, que dão boas informações, sobre o que se faz no secondlife (e não, não brincamos as ilhas e as barracas, mas para perceberes isso terias que ver as construções dos espaços lá e as exposições artisticas (Quadros, esculturas, etc…), para além dos concertos.
http://metaversemessenger.com/
http://getasecondlife.net/
http://gwynethllewelyn.net/
http://utopia.arci.pt/
Entra e procura a Nyne Wolfe, prometo-te que ao fim de uma semana a navegar comigo e a conhecer alguns dos projectos que ali se desenvolvem, vais ter pelo menos mais 3 post para fazer.
2 Miguel Albano // Ago 30, 2008 at 22:11
Elaine,
dado que aparentas ser uma maior e melhor conhecedora do SecondLife, tenho algumas dúvidas às quais tu me poderás responder.
O projecto do BES, quais foram os seus objectivos? Como têm sido avaliados? Interessa-me saber também que desenvolveu o projecto?
Interessa-me também que partilhes o teu ponto de vista sobre o potencial do SecondLife em termos de comunicação para as organizações.
E para terminar, presumo que tenhas acesso a algumas estatísticas relevantes sobre a presença nacional no SecondLife.
Seria interessante partilhar casos de sucesso de presença de marcas no SecondLife, não pela cobertura mediática que possam ter, mas porque ajudam a compreender melhor a plataforma e aquilo que se pode fazer dela.
3 Nyne Wolfe // Set 2, 2008 at 15:12
Olá Miguel,
Estou no secondlife desde 29 de Dezembro de 2004, inicialmente como utilizadora comum, que explora a plataforma e actualmente com alguns projectos em curso, todos ou quase todos ligados à educação/ensino e comunidade.
Respondendo as tuas questões:
No que diz respeito ao BES, uma vez que não pertenço a organização, posso apenas passar-te a resposta dada pelo departamento de Marketing Estratégico há um ano atrás, quando confrontados com o porque da entrada neste mundo virtual: “ … é no “retorno esperado” que se mostra o objectivo da instituição bancária, ao querer “reforçar o posicionamento de marca inovadora” atenta a novos comportamentos dos consumidores, obter experiência em “novos espaços de comunicação” e consumo, e juntar “este meio como mais um canal a integrar nas estratégias de marketing e comunicação”empresarial. Esta acção visa assim promover os produtos do banco mas, numa primeira fase, sem quaisquer transacções reais. …” por Pedro Fonseca in Diário de Noticias.
Este projecto foi desenvolvido pelo departamento de marketing estratégico, sendo a ARCI – Associação Recreativa para a Computação e Informática, quem dentro do SL criou os espaços, faz a manutenção e dá consultoria sobre o meio. Todas as actividades desenvolvidas (ou não) em espaço BES ou patrocinadas pelo mesmo, são com conhecimento e autorização da organização.
O espaço conta com atendimento tipo call-center, que não só esclarece alguma dúvida sobre os produtos do banco, como registas as diferentes sugestões que os visitantes possam ter. Além de que existem no espaço dois contadores, para medir o fluxo de visitantes:
•Um para total de visitantes diários
•Outro para contar nº de avatares diferentes que visitam o espaço.
As organizações que queiram entrar no secondlife, devem olhar para a plataforma como uma nova tecnologia de comunicação, divulgação e estudo em várias áreas.
Se a ideia é dar a conhecer um produto ou um serviço, não basta que se crie um espaço (replica ou não do que existe cá fora) e que se dê conhecimento a imprensa. Tem que haver uma interacção diária entre os representantes da marca/produto/serviço e os utilizadores na plataforma. Quando tento explicar o funcionamento dentro da plataforma, uso os termos comuns de uma página web, como por exemplo, quando me perguntam o que é isso de um Teleporte. O Teleporte é o nome dado ao Link comum numa página web, só que como a minha aparência dentro deste meio virtual, não é um cursor de rato, mas sim uma personagem virtual, é como se estivesse no Star Trek e saísse da nave para visitar os mundos. As lojas, ou “barracas”, são nada mais nada menos que a própria página de internet, com os seus conteúdos.
Devem estar a perguntar-se: “ Se o seu funcionamento é igual ao da WWW, então para quê investir numa plataforma que ainda não é muito bem aceite por todos e que tanta polémica tem suscitado?” R: “Se a propaganda nos jornais, na TV ou na rádio funcionava, por quê criar uma página na internet?”
Esta plataforma oferece, acima de tudo, uma comunicação global, facilita o contacto entre utilizadores/autores e os seus conteúdos. A vantagem deste meio é a comunicação em tempo real e o facto do utilizador poder, em alguns casos, testar o produto ou o serviço ali mesmo. Cada marca, organização ou pessoa individual, deve encontrar o seu espaço e a sua forma de comunicar usando esta ferramenta, e sim concordo que para alguns, ou algumas marcas, não seja ainda altura de investir no meio.
Quanto a números estatísticos sobre a presença portuguesa no mundo virtual não sei, nem acredito nos mesmos, porque ao contrario do que acontecia em 2004, que cada avatar custava 10 dolares estava associado a uma conta bancária e isso fazia com que as pessoas fossem mais moderadas em termos de segundos avatares. Actualmente há quem tenha mais que um avatar, (uns para trabalhar, outros para outras coisas) que faz com que os valores estejam sequer perto da verdade.
Marcas que entraram e que se mantém com algum sucesso, seria muita arrogância da minha parte falar sem conhecimento de causa, pois para dizer isso teria que dizer que as mesmas tinham atingido os objectivos que tinham traçado, e como deves calcular, tirando os dos clientes que represento, não sei a que se propuseram, se tiveram que se ajustar durante o processo, etc…
A pessoa indicada para te responder a esta última questão, é a Gwyneth Llewelyn, minha mentora e maior conhecedora do Secondlife nacional e internacional.
(peço desculpa pela demora, mas espero que esta minha resposta, não seja vista como um acto de saber muito sobre o meio, mas sim que seja vista como uma opinião pessoal e sem estar ligada a nenhuma organização em especial, nem mesmo há ARCI)
4 Ana Lutetia // Set 2, 2008 at 20:08
Curiosamente, continuo a ver o Second Life em crescimento. Pode não ter o crescimento visível em avatares portugueses mas continua a crescer.
5 Nyne Wolfe // Set 3, 2008 at 14:40
Ola Miguel,
Numa das minhas pesquisas sobre o BES no secondlife, encontrei este site http://www.algebrica.pt/Arquivo/Newsletters/ebs/151/index.htm
A e entrevistada pertence a organização e a informação será mais viável que a minha… espero que te seja útil.
6 Gwyneth Llewelyn // Set 3, 2008 at 20:18
A Nyne tem o péssimo hábito de me embaraçar em público
… não sou, de todo, merecedora dos epítetos com que me classifica.
No entanto, sigo a linha da Ana Lutetia e confirmo (as estatísticas publicadas pela Linden Lab são assim mesmo: públicas e consultáveis por todos) o continuado crescimento do Second Life. Parece que é um crescimento “menor” do que há dois ou três anos atrás… porque de facto em percentagem diminuiu imenso. Passo a explicar: o Second Life, quando tinha meio milhão de residentes (= utilizadores), angariava 200 a 300 mil novos por mês. Era uma taxa impressionante! Falava-se em crescimento incrivelmente exponencial! O céu parecia ser o limite!
“Duplicar a população ao fim de poucos meses” era uma constante em 2006 e 2007. Tudo parecia estar a correr pelo melhor.
Agora, isso não acontece, fala-se num “crescimento moderado” e “pouco substancial”.
No entanto… entram 450 mil novos utilizadores. Todos os meses. Ou seja: em valores absolutos, continua a entrar gente por todo o lado. A diferença é que, embora a taxa de crescimento absoluto (em número de novos utlizadores mensais) tenha duplicado entre 2006 e 2008, em valores relativos, são agora poucos pontos percentuais. Não há “10% de crescimento ao mês” (nem chega a 1%) pois a população é muito grande.
Depois há o reverso da medalha. Um novo registo de utilizador não é um utilizador activo. Por exemplo, o Gmail “conta” cerca de 250 milhões de utilizadores registados (ou contava; estes. Mas quantos activos?… Eu tenho uma dúzia de caixas de correio no Gmail, mas uso todos os dias… apenas três. A maior parte das pessoas usa muito menos. A crítica de que o SL tem muitos utilizadores registados, mas poucos que sejam activos é de facto uma realidade. Mas é só uma realidade… porque a Linden Lab publica essas estatísticas regularmente! Dos restantes serviços em todo o universo Web, quantos são “activos” ou “registados”? Estou registada na Amazon e no eBay há imensos anos, e faço compras em cada um deles aí uma vez por ano, ou ano sim, ano não. Serei uma utilizadora activa? Como é que a Amazon e a eBay me classificam? No entanto, se tiver um avatar no SL e só me ligar uma vez por ano para assistir a um concerto ou a uma palestra do eurodeputado Paulo Casaca… ninguém hesitará em dizer que seria uma utilizadora “não activa”.
A “actividade” no SL é *muito* exigente. Ninguém duvida de que eu esteja activa no Facebook, no Twitter, no Plurk, no LinkedIn, ou em inúmeros sites sociais semelhantes. No entanto, por semana, não perco mais de uma hora neles *todos*. Às vezes menos do que isso. Mas a minha actividade nesses espaços sociais todos não é, de todo, colocada em questão.
Ao Second Life dedico em média talvez umas 20 horas por semana que estou efectivamente online (não vou contabilizar as horas que passo a fazer coisas estritamente relacionadas com o Second Life mas que não se passam online!). É suficientemente pouco para ser muitas vezes criticada por “quase não estar no SL”. É verdade! Alguém que passa “apenas” 3-4 horas por dia, em média, no SL, é um “utilizador activo” (sem dúvidas) mas “pouco activo”. E isto é o que faz efectivamente o SL parecer “vazio” — é que o número de pessoas que passa mais de uma hora ligado por dia (TODOS os dias, 365 dias por ano!) são 1.2 milhões. 1.2 milhões!… No entanto, para ser uma utilizadora “activa” da Amazon, basta comprar um livro por ano e perder meia hora… por ano.
Ora os mundos virtuais transformam a nossa percepção da realidade quando andamos a olhar para eles em termos do que se faz por lá. A razão principal pela qual os “media” se afastaram do SL é por não ter mais dados interessantes. Já não se pode falar de “um crescimento económico de 900% ao ano” (como aconteceu de 2006 para 2007). O crescimento é talvez uns 20% ao ano. Não interessa!… o facto de serem biliões de dólares é totalmente irrelevante — já “não é notícia” porque não é estupidificantemente exponencial.
E os media “fartaram-se” de anunciar a 34.272ª empresa a entrar no SL (é natural — não é notícia). Deixou de ser atractivo dizer que se investiu 50 mil euros para estar no SL (quando mensalmente há um milhar de empresas a fazer o mesmo) — isso era “novidade” em 2006, mas é “banalidade” em 2008. E o que é banal deixa de ser noticiado. Mas se não é noticiado… não nos apercemos dos projectos fantásticos que continuam a aparecer todos os dias no SL. Simplesmente… não sabemos deles. Não “registam” no “radar dos media”, como dizem os americanos.
O que ainda é efectivamente registado são os finais de projectos. “Empresa X abandonou o SL!” ainda faz notícia algures nos blogs e mesmo nalguns jornais. Mas será que abandonou mesmo…? A esmagadora maioria das empresas em todo o mundo quando se lança num projecto fá-lo com objectivos concretos — e dentro de um período de tempo. Um exemplo típico: não se fazem campanhas de Natal na Páscoa!… o facto de uma empresa mandar remover todos os cartazes das suas campanhas de Natal a 6 de Janeiro não quer dizer que tenham “abandonado o Natal” (ou mesmo declarado falência!…). Quer dizer apenas que a “campanha de Natal” tem uma imagem, um objectivo bem concreto, e, inevitavelmente, um período no tempo em que está activa.
É totalmente ridículo noticiar nos media “Sonae abandona publicidade; falência iminente?” quando começam a ser removidos os cartazes de Natal — não passa pela cabeça de ninguém! No entanto, é isto que acontece no SL: sempre que termina um projecto, “o fim anunciado do SL” é imediatamente notícia de primeira página no Financial Times ou no Wall Street Journal. E assim tem sido… desde 2003. No entanto, cá estamos para contar a história
Esta associação imediata de “fim de projecto empresarial — fim anunciado da plataforma” é uma coisa que contradiz o senso comum na vida real, mas, para os media, é o mais natural no SL. Estão à espera de “projectos eternos”. Mas estes, felizmente, também existem: por exemplo, as universidades que dão cursos no SL (ou que fazem investigação nas mais diversas áreas, embora predominantemente na área das ciências sociais e humanas). Estas tendem a ficar vários anos. Mesmo assim, é frequente ver-se, por exemplo, um projecto terminar (por exemplo, um mestrado que é apresentado) e a ilha respectiva removida da “grid”. Pronto! No dia seguinte vamos ler nos jornais imediatamente: “universidade X abandona o SL; acabaram de remover a primeira de muitas ilhas”.
Este alarmismo é de facto irritante; mas talvez se possa compreender pelo facto de, na vida real, quando as empresas começam a demolir edifícios e a vender armazéns, normalmente é porque vão reduzir as operações, ou mudá-las para outro sítio (ou país). Por isso talvez seja, de certa forma, compreensível que o “desaparecimento” de um edifício ou de uma ilha no SL seja entendido como um “prenúncio do fim” (quando na maior parte das vezes é apenas o término de um projecto). É complicado de explicar. A analogia mais próxima que temos é quando um site relacionado com um filme da Disney é removido (pois já foi exibido em todo o mundo e já não há DVDs à venda). Não significa que a Buena Vista International vai deixar de distribuir filmes produzidos pela Disney, ou que abriu falência. Simplesmente um filme é uma coisa que tem uma vida temporal bem definida, e a partir de certa altura, não se justifica manter os custos de um site. No SL, uma grande parte dos projectos foram criados com precisamente esse tipo de objectivo.
Há depois também a questão da “utilização recorrente” do espaço. Na vida real, a maior parte dos edifícios de escritórios estão fechados e com as luzes apagadas, 14 a 16 horas por dia, e nem sequer abrem ao fim de semana. No entanto, um edifício no SL, que não esteja aberto às 4:30 da manhã de um sábado, “é um projecto falhado”. Os ritmos de expectativa são totalmente diferentes: espera-se que um projecto de sucesso tenha 40-100 pessoas no mesmo local, 24/h dia, 365 dias por ano. Nem as mais famosas discotecas ou salas de espectáculo portuguesas na vida real têm esse ritmo intenso (podem ter, porventura, mais pessoas — num espaço de tempo muito mais reduzido!). Isto é complicado de explicar para o nosso “senso comum” pois não é o que estamos à espera que aconteça. E a transposição para o SL daquilo que é o senso comum falha muitas vezes (na vida real, estamos à espera que o Centro Comercial Colombo esteja fechado às 4 da manhã, mas cheio de pessoas depois do almoço; no SL, no entanto, um centro comercial que tenha meia dúzia de pessoas às 4 da manhã é um “fracasso completo”).
A gestão de expectativas é, pois, crucial para qualquer projecto no SL. As presenças virtuais da Microsoft, da IBM, ou da Sun, são um sucesso ou não?… Bom, a Microsoft tem dois mega-eventos por ano. Eles consideram um sucesso tremendo — pois fazem uma análise custo/benefício. Um evento para programadores numa cidade qualquer do mundo tem um custo astronómico, para umas centenas de pessoas — mas a Microsoft não hesita em fazê-lo. Esse custo no SL é negligível, para a mesma quantidade de pessoas — e podem atrair programadores de todo o mundo, não de uma única cidade. Então porque é que não fazem mais eventos? Um evento por dia?… bom, pura e simplesmente, porque “não vale a pena”. Esse tipo e eventos faz-se periodicamente — mas o período mede-se em meses, não dias e horas. Do ponto de vista da Microsoft, o evento pontual que fez no SL teve um custo baixíssimo e um benefício elevadíssimo — um sucesso enorme. Mas os “críticos do senso comum” acham que “aquilo está sempre vazio”.
Não se sabe quantas ilhas a IBM tem — no Second Life, e na sua grid privada, que recentemente serviu para um teste de interligação entre grids (o primeiro “nó” da Intergrid — a grid das grids!), são muitas. E muito vazias. No entanto, a IBM tem 5 a 6 mil funcionários e colaboradores a usar regularmente o SL. Simplesmente, na vastidão do espaço que é o SL (e sem falar das ilhas completamente privadas a que não temos acesso!…), 5 ou 6 mil pessoas “é pouco”. A densidade populacional do SL é muito baixa: segundo SignpostMarv Martin, equivale mais ou menos à das Ilhas Virgens Americanas. Mas do ponto de vista da IBM — o sucesso é estrondoso, embora a esmagadora maioria das pessoas que usam o SL nunca viram o vice-presidente da IBM que por lá anda, umas 4 horas por dia (dica: ele não costuma falhar os concertos da Grace McDonnough; não vou dizer quem é, porque a maior parte das pessoas não me iria acreditar de qualquer das formas. Nem digo quem é a Grace na vida real — descubram e pasmem-se).
E a Sun?… 1500 funcionários a trabalhar diariamente no SL. No entanto, só têm uma ilha pública, que ainda por cima pouco ou nada tem para ver (ao contrário das da IBM que são bem interessantes). Não consta, porém, que haja qualquer “desilusão” da Sun, ou que pelo facto da Sun tenha um produto “concorrente”, tenha “abandonado” o SL. Pelo contrário. Mas qualquer jornalista que dê um salto ao edifício da Sun no SL ficará desapontado por não conseguir entrevistar ninguém. (O mesmo jornalista, no entanto, não tem a menor sombra de dúvidas que se aparecer na sede da Sun sem marcação prévia, muito dificilmente conseguirá uma entrevista)
É esta “gestão de expectativas” que é muito complicada de transpôr para o SL. Sempre que se fala sobre a mesma, parece que estamos a “desculpar” a plataforma, em vez de na realidade estarmos a explicar como ela funciona. No entanto, os marketeers são por vezes sensíveis às métricas. Assim por alto, um mega-evento produzido pela ARCI para o BES no SL tem um custo de meio Euro por pessoa. São muito poucas as campanhas reais (fora do mass-media) que conseguem este nível de custo/benefício. E ainda por cima… sabemos quem foram (ficamos com os nomes dos avatares!) e podemos tirar estatísticas precisas (em média, quanto tempo é que as pessoas por lá ficaram; o que fizeram; o que viram; e estudar se o seu comportamento se mantém de evento para evento). Ora nada disto é possível no mundo real (excepto através de amostragem estatística a posteriori obtida por inquéritos).
E esta é a utilização menos interessante do SL (do ponto de vista, claro está, do que se tem vindo a fazer): a mera utilização do SL como veículo publicitário. Com todos os seus defeitos e limitações, até para isso o SL serve. No entanto, como os analistas da empresa britânica Kzero bem representam no seu blog sobre marketing em mundos virtuais, esta é apenas uma das inúmeras possibilidades de presenças virtuais empresariais…
7 Gwyneth Llewelyn // Set 3, 2008 at 20:19
Errata: onde se lê
deve-se ler
8 Nyne Wolfe // Set 18, 2008 at 18:09
Eu não disse???
Ela é realmente a pessoa indicada em portugal a quem fazer questões sobre o SL…. ahahah!!!!
Espero que pelo menos estejam mais esclarecidos!!!
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