Se a televisão (e em particular a televisão por cabo) nos trouxe o ciclo de notícias 24/24, facto é que na Internet, o ciclo de notícias é contínuo. Não para, e todos os dias são dias de trabalho, para quem está envolvido na gestão da reputação de uma organização.
Hoje, um dos principais temas que circula nos media sociais é sobre a Renova.
Aparentemente, a Renova terá produzido uma peça de marketing de guerrilha em torno de um musical sobre guardanapos, tendo sido gravado (ao vivo e a cores) no Saldanha Residence, em Lisboa. O Renova Musical foi publicado no YouTube e partilhado com o Imagens de Marca no dia 6 de Outubro, demonstrando assim uma nova forma de comunicar desta multinacional portuguesa.
E de facto, tudo isto teria corrido bem, não fosse o facto do musical, de original ter muito pouco.
O blog Urban Prankster, mais conhecido por ser a base do ImprovEverywhere, emitiu o alerta no dia 7 de Outubro.
Entretanto, o vídeo que circulava no YouTube foi retirado, mantendo-se o vídeo do Imagens de Marca.
Na quinta-feira (9 de Outubro), alguns membros do grupo português que se associa ao ImprovEverywhere começam a indignar-se com a situação, sendo que hoje (Sábado), a dita situação começa a ganhar relevo nos media sociais (twitter, blogs).
Onde isto irá parar, não sei. Ainda muito se irá escrever sobre este tópico.
Mas, há aqui já duas importantes lições a retirar.
A Renova não está à escuta. São participantes activos na comunicação digital (através do seu blog, de uma aparente conta no YouTube) mas não estão de facto atentos ao que se escreve sobre eles. Ou, pior ainda, estão atentos e decidiram ignorar.
Se estivessem atentos, teriam rapidamente reagido ao post do dia 7 de Outubro. Independentemente do conteúdo, uma resposta imediata é um sinal de atenção e respeito. A sua ausência é exactamente o oposto.
Mas mais do que estar atentos agora, será que ninguém se lembrou de estar atento na altura do processo criativo que levou a esta produção ?
Quem é que, dentro da organização, aceitou esta ideia como original, sem ter validado essa mesma originalidade? Tal como não queremos e aceitamos o plágio no meio académico, o plágio nos meios publicitários são uma vergonha.
Quem é que, dentro de qualquer organização, assumirá a responsabilidade de assegurar a qualidade máxima, a originalidade mínima e a consistência das mensagens a serem passadas aos diferentes stakeholders?
Não deverá ser essa uma das responsabilidades da Comunicação? A bem da reputação das organizações?
Update:
Posts sobre este mesmo tema:
- Food court copycat musical (A Source of Inspiration)
- Musical dos Guardanapos: Renova plagia filme americano (Cibercidadania)
- O papel químico da Renova (Buzzófias)


6 respostas até ao momento;
1 Paulo Querido // Out 11, 2008 at 18:37
Já publiquei as imagens do plágio no Expresso. “Musical dos guardanapos: Renova plagia filme americano”. Em http://is.gd/3Tnq
O sistema editorial do Expresso não faz trackbacks; este post está lá linkado.
2 Salvador da Cunha // Out 12, 2008 at 10:15
Miguel,
Tenho assistido aos vários e indignados comentários na blogosfera sobre este tema e sem saber exactamente o que se passa, porque aparentemente não há uma versão oficial da Renova, acho que o caso é grave, embora muito limitado nos danos reputacionais no público em geral.
Não sei se irá para por aqui. Se assim for, então os danos limitam-se a uma camada muito pequena de pessoas que lê estes blogues. Mesmo o artigo do Expresso do Paulo Querido, que é bastante picante, não teve chamada à primeira página. Por isso, do ponto de vista da comunicação, a estratégia da Renova de não falar não é a pior.
Também não é a melhor, que eventualmente seria assumir a culpa e inesperadamente oferecer um milhão de guardanapos aos autores do musical, num evento transmitido ao vivo na Web e para o qual tivessem sido previamente convidados todos os bloguers que escreveram sobre o tema e outros que a Renova escolhesse.
Ponto de parte a questão do plágio, não quero deixar de dizer que a ideia é muito boa do ponto de vista das relações públicas. O erro foi mesmo não atribuir os créditos aos autores e fazer passar o evento por um original. Num mundo global isso já não é possível.
3 Miguel Albano // Out 12, 2008 at 10:21
Salvador,
não sei se a ausência de resposta é de todo uma boa estratégia. Seria, sim, numa lógica tradicional de não atirar mais lenha para a fogueira.
Mas a reputação das organizações é algo que se constrói ao longo dos tempos. E o problema é que na Internet nada se apaga, nada se esquece.
Daqui a 6 meses, daqui a 6 anos, quando alguém procurar por Renova no Google, que resultados obterão ?
A Renova, até se defender em contrário, está e manter-se-à associada a um plágio.
Oferecer os guardanapos seria uma interessante ideia, juntamente com um pedido de desculpas e o pagamento dos respectivos royalties.
E assim, lá conseguiriam trazer novamente à ribalta a sua produção. Que neste momento, não é mais do que um autêntico desperdício de dinheiro.
4 O Plágio Descarado da Renova « Dissonância Cognitiva // Out 12, 2008 at 14:05
[...] Quando muito tempo é tempo a mais ((It’s) Not About You) - a perspectiva de Miguel Albano no blog da Lift, mais centrada na falta de resposta da Renova [...]
5 Certamente! Musical dos guardanapos: Renova plagia filme americano (arquivo) // Out 15, 2008 at 16:13
[...] A Renova retirou da conta do Youtube um video que ali tinha sido colocado no dia 3 de Outubro, com publicação no blogue da empresa, depois de ter sido inquirida sobre o facto de o seu anúncio ser uma cópia de um video americano da Improv Everywhere. [ Versão para arquivo pessoal do artigo original, publicado no Expresso Multimedia em 11 de Outubro de 2008 ] O anúncio, intitulado “Renova Musical” e anunciado como “um happening em plena hora do almoço“, é uma “aposta em marketing de guerrilha“, com o objectivo de “chamar a atenção para a importância dos guardanapos“, segundo a comunicação da Renova. É exactamente igual ao publicado pela Improv Everywhere — uma empresa de ideias e acontecimentos que, tanto quanto apurei até ao momento em que decidi publicar este artigo, não foi abordada e desconhece a existência desta cópia. A Improv Everywhere proibe a reprodução dos seus conteúdos e não usa, sequer, as licenças Creative Commons, que permitem cópias em determinadas circunstâncias. O seu impulsionador, Charlie Todd, diz que “eles copiaram a letra, traduzida, a coreografia, os personagens e a música“. O guião é igual: à hora da refeição num populoso centro comercial, faltam os guardanapos e a funcionária inicia uma sequência musical que se estende a outros personagens típicos daquele ambiente. A música é a mesma. Até a letra foi simplesmente traduzida e adaptada. A coreografia é idêntica. Quando vemos os dois videos, a principal diferença notada é que os cantores da versão da Renova desafiam bastante mais que os actores da versão original. Ao contrário do original, que credita os autores da música, os actores, o realizador do video e o coreógrafo, o anúncio da Renova não tem créditos. Nem sequer uma menção aos autores da ideia. Aguardo resposta ao contacto que efectuei junto da Renova. Aguardo também a aprovação do comentário que deixei no blogue onde o video esteve disponível e foi entretanto retirado. Mas sem grande esperança de obter uma resposta. Enquanto aguardo, aqui ficam os links úteis desta história e uma esclarecedora sequência de fotogramas que retirei dos dois videos. Imagens de marca: Renova aposta em marketing de guerrilha (video do Renova) Renova Musical (post no blogue da Renova; o video foi entretanto retirado e os comentários com perguntas nunca foram aprovados) Food Court Musical (post original da Improv Everywhere, com o video e a sua explicação) Portuguese Food Court Musical (a denúncia, no site Urban Prankster — ligado à Improv Everywhere, ambas da responsabilidade da mesma pessoa, Charlie Todd) Reacções portuguesas até ao momento das publicação: Armando Alves, da agência DraftFCB, publicou no seu blogue pessoal uma crítica (link) e Miguel Albano, da Lift Consulting, conta esta história pouco digna no blogue da empresa (link). [...]
6 PR Conversations » Growing professionalism in Portugal, still to be accomplished the shift for the social media / relationship management paradigm // Dez 22, 2008 at 17:56
[...] of caos and joy in public spaces”, but without acknowledging it. When the issue emerged in the blogosphere first and afterwards also on traditional media, the reaction of the company was not a [...]
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