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10 razões porque um político devia ter um blog

3 de Novembro de 2008 por Miguel Albano

Bem sei que já existem alguns «políticos» que recorrem aos blogs enquanto ferramentas de comunicação, mas infelizmente, não consigo encontrar nenhum que explore o verdadeiro potencial destas ferramentas.

Senão, vejamos:

1. Apresentação

A base de poder de qualquer político é o seus eleitorado. Conhecer os eleitores, desenvolver uma comunidade é essencial à própria natureza de um político.

Hoje em dia, a grande maioria dos políticos anseia pelos seus 15 minutos de fama na televisão, pela exposição consequente, mas a realidade é que uns míseros 15 minutos de fama na televisão não vão ser capazes de gerar a lógica de comunidade que sustentará um político ao longo do seu ciclo de vida.

A utilização dos media sociais permite a um político apresentar-se, comunicar e interagir com aqueles que se interessam pelas suas opiniões, de uma forma directa, transparente e de com valor.

2. Debate de Ideias

É nesta interacção regular, profunda e sentida entre um político e a sua base que poderão ser introduzidas ideias, debatidos conceitos e exploradas oportunidades. É nesta mini rede social que o político poderá entender a viabilidade de determinados projectos, sentindo o pulso da sua audiência e agindo em conformidade.

3. Acesso às Audiências

Através de um blog, um político comunica directamente com quem tiver interesse na sua opinião, nas suas ideias, em qualquer filtro, sem qualquer obstáculo. Os media são de facto relevantes e permitem uma exposição mediática única, mas é essa mesma razão que faz com que existam poucas oportunidades de aproveitamento do espaço mediático, em particular se estivermos a falar de um político pouco conhecido ou (ainda) pouco influente.

4. Gestão de Crise

A comunicação directa é fundamental em períodos de maior necessidade ou crise. A constituição de um espaço próprio, regular, maduro e credível irá permitir uma capacidade de resposta única sempre que surjam situações de crise.

5. O Valor das Comunidades

Outra razão para os políticos investirem nas media sociais prende-se novamente com o factor comunidade.

Embora em Portugal o peso das comunidades na política seja relativamente subestimado, começa a ganhar uma dimensão significativa (vide o Movimento de Intervenção e Cidadania que susteve a campanha eleitoral de Manuel Alegre).

6. Financiamento

Com as campanhas eleitorais a terem custos cada vez maiores, torna-se crítico identificar novas formas de atrair contributos legais por parte dos eleitores.

Em Portugal, estamos muito pouco habituados a contribuir para a eficiência do sistema democrático. Contudo, torna-se fundamental a transparência da relação de financiamento entre todas as partes.

7. Diferenciação

Mas um blog não é meramente para um político estabelecido. Pode transformar-se numa plataforma de lançamento para um político menos conhecido ou para um ilustre anónimo interessado em dar a conhecer a sua visão e projectos de futuro.

8. Exposição

Um blog tem outra importância. Trata-se de PR e não me refiro meramente a Public Relations (Relações Públicas). Refiro-me ao Google PageRank e torna-se crítico a um político controlar, dentro do possível, a sua exposição (e a do seu nome) no Google, motor de busca através do qual a grande maioria da população interessada em si irá obter informações sobre a sua pessoa, ideias e políticas.

9. Viral

A utilização regular dos media sociais com o intuito de comunicar sustenta uma reputação sobre a qual se pode gerar uma exposição verdadeiramente interessante, quanto maior for a relevância dos conteúdos.

O aspecto viral da Internet, em particular, da blogosfera, permite a um político com boas ideias, boa prosa e capacidade de produzir conteúdos relevantes, ver esses mesmos conteúdos (e consequentemente ideias e opiniões) disseminadas à luz dos bits, sem qualquer esforço adicional.

10. Futuro

Para os políticos mais novos, a capacidade de estabelecer uma relação com uma audiência jovem parece-me crítico para o seu sucesso enquanto político de futuro. De todos aqueles que estão envolvidos nas juventudes partidárias, quantos possuem uma plataforma de comunicação própria?

Saber comunicar com os mais novos não é só uma questão de plataforma, mas também uma questão de mensagem. Saber escutar as gerações mais novas, saber interagir com elas e saber responder às suas necessidades torna-se crítico para fazer renascer o interesse pela política junto dos mais jovens.

Conclusão

Existem alguns políticos nacionais que têm sabido aproveitar as vantagens da presença na blogosfera. Outros, iniciam-se nestas lides, contudo, sem conseguirem potenciar ao máximo todas as características que estas plataformas permitem.

Existe um gigantesco fosso entre os eleitos e os eleitores. Raramente nos é dado a conhecer a pessoa por detrás do político e raramente temos acesso às suas ideias, às suas convicções.

Tirando aqueles que frequentemente surgem na ribalta do mediatismo, quem são aqueles que nos representam a todos os níveis do poder legislativo, do poder executivo, central e local?

Em 2009 vamos assistir a três campanhas eleitorais. Estou certo que alguns saberão seguir as pisadas dos nossos vizinhos do outro lado do Atlântico e aproveitar as novas plataformas para se darem a conhecer.

PS: Este post tem como base um muito interessante artigo do Loic Le Meur, disponível aqui.

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